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17 de junho de 2010

Gato

     Ainda do norte, sobre o velho piso xadrez da cozinha rasteiro bate o feixe da moribunda luz vespertina. Uma bengala branca a tatear. Um gato enrolado.
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    Sutil vibrar do parco ambiente ‑ despertou o ronronar da geladeira. Um frio de arrepiar para quem não vista ao menos uma parca manga comprida.
    Onde encontrará seu gato o surdo sem luz? E em que hemisfério?

11 de maio de 2010

Dócil e arisco (animais)

     Arisco, um gato em hipótese nenhuma terá  a chance de conhecer o amor de um ser humano.
     Dócil, um gato com grande probabilidade terá a oportunidade de conhecer o terror humano.
     Uma hipótese é-lhes comum.


1 de maio de 2010

Quanto tempo um cavalo resiste sem comer? (animais)

10 dias.  Depois cai, se debate e, mesmo medicado, 3 dias mais está morto.
    Foi o experimento que a dona do cavalo fez.
    “Podem me prender”, diz, provavelmente sabendo que não será presa.
    O fato mereceu registro por respeito à vítima.



A ocorrência de abril de 2010 está documentada na Associação dos Amigos de Animais de Ijuí.

25 de abril de 2010

preciosa cadeira (nota)

Cadeira de rodas usada pela APV de Ijuí, de autoria do veterinário Chico.
O Chico iria rir se lhe disserem que essa cadeira, de certa forma, lhe custou redondos 80 mil reais.
À APV desejo sucesso em nome dos animais, pois não é facil trabalhar direito levantando de pé esquerdo.

Milho verde

Há mais de um ano amontoa-se um monte de terra roxa no que seria minha calçada. Restos de reformas. Há muito a terra roxa está encoberta sob vigoroso verde, como aliás toda minha calçada intransitável.
     Um vizinho pediu uma parte do monte e lhe concedi o favor. Baixaria o monte e talvez a crítica vizinha a meu pequeno jardim botânico de calçada. Para não causar a censura do leitor noto que, por motivos da localização, ninguém percorreria esta calçada ainda que estivesse limpa e bem-cuidada.
     Pois bem. Talvez como retribuição, certo dia o vizinho, chegando a casa e carregando um saco cheio, pergunta-me se eu "quero" milho verde. Não pensara em milho verde, mas sabia que não estava a fim. Agradeci recusando. 
    Mas o vizinho insistia e, para resolver a situação, logo cedi. Preencherndo o  tempo, perguntei: “Daonde é o milho?”
    “Ah, tava viajando - é da beira da estrada”, disse com sorriso maior que o costumeiro. Neste meio-tempo um espigame já estava em meus braços. Num ressalto contido calei. Que fazer? Nada! Agradeci e fui-me.
     Mas fui-me pensando. Imediatamente vieram-me à cabeça dois lamentos recentes sobre tempos atuais: “Não dá para plantar! O pessoal leva. De dia e de noite.” Isso me contou uma conhecida sobre sua mãe, que em Santa Catarina tem 5 hectares rodeados de muito povo. Seu éden lhe escorria pelas mãos. Não sei o que faz hoje.
     E contou-me um agricultor ijuiense à beira da periferia urbana, por dois lados cercado de uma vila. Parou de plantar mandioca e milho porque plantava para o povo. Galinha desaparece principalmente de noite. Os terrenos vizinhos em geral permitiriam criar galinha e plantar milho e mandioca para o consumo familiar. 
     Na melhor das hipóteses, crêem que em plantando dá é uma anedota.
     O agricultor agora só planta pasto, tem uma vaquinha e vende leite e ovos. O pasto alimenta os cavalos de sua cabanha. Até que os vizinhos decidam comer pasto.
     São pequenos crimes que um juiz decerto não gostaria de ter sobre sua mesa. Condenaria ao serviço social? 
     De tão pequenos e numerosos, os crimes impedem gente de plantar alimentos para seu povo. Por isso mesmo são crimes.
     Em confins brasileiros, aliás, também já não é crime derrubar mata nativa  (um bem antes público que privado) e substituí-la por eucalipto. Veredito de juiz. Acatou o raciocínio (?) do demandante: as árvores nativas estavam aí somente porque ninguém capinou o terreno. Ou seja: o terreno não foi "cuidado".
     Se isso pega na Amazônia, o pessoal pega os juízes.
     Não é possível que um mundo melhor não seja possível.

24 de abril de 2010

Animais

     É triste iniciar esta coluna assim, mas animais precisam de proteção.  Hoje, de carro a caminho do Moinho, percebi um pequeno cão à beira da rua.  Estava deitado. Vi sua língua de fora e, enfim, seu último terço de corpo estraçalhado. Estava morto. Atropelado.
     Foi um choque. Logo, contudo, surgiu-me a impressão de que alguém o teria enterrado à beira do asfalto. É raro ver isso. Comumente os cadáveres atropelados permanecem jogados no asfalto. 
     Que tenha uma boa vida eterna, o bichinho!
     Pior é a situação de um cão cujo dono o está acostumando a comer apenas a cada sétimo (convém repetir: 7º) dia para que cause menos despesa. Quem me contou foi uma criança. Criança que adora animais.
    Seria um presidente de bairro. Mencionou um bairro.
    A Associação dos Amigos dos Animais foi informada.
    Não escapará. Animais precisam de proteção.